2020 – Os desafios de um ano diferente

Thebar Miranda, presidente do Conselho de Administração do Grupo Azevedos explica como é a que as empresas do grupo enfrentaram os primeiros meses da pandemia de Covid 19 e como conseguiram adaptar o negócio a esta nova realidade, estando na linha da frente desde a primeira hora. Nesta entrevista o CEO do Grupo Azevedos salienta o papel fundamental da indústria farmacêutica nacional como geradora de valor e riqueza para a país, criando emprego qualificado, contribuindo para o aumento das exportações nacionais e para a internacionalização da marca Portugal no Mundo.

Sete meses depois de o País ter entrado em Estado de Emergência devido à pandemia de Covid 19, qual ao balanço que faz em relação à forma como o Grupo Azevedos conseguiu adaptar-se e operar durante este período?

Estivemos na linha da frente desde a primeira hora a fazer aquilo em que somos fortes, produzir medicamentos. Conseguimos reorganizar a estrutura das empresas do grupo com o apoio de todos os colaboradores que fizeram, e ainda estão a fazer, um grande esforço para conseguirmos responder a todas as solicitações do mercado interno e às entregas para mercados externos. É nestas situações que as empresas se distinguem pela sua solidez e o Grupo Azevedos provou, uma vez mais, a sua importância num setor estratégico como é a produção de medicamentos em Portugal.

Quais foram as maiores dificuldades?

Talvez a imprevisibilidade da situação. Em pouco mais de uma semana os portugueses começaram a perceber que o que lá vinha era muito grave, assustador e desconhecido. E o facto de sermos uma farmacêutica ainda nos dava mais responsabilidade. Tivemos muito pouco tempo para nos adaptarmos a novas formas de trabalho e planear a produção. Sete meses depois acho que o que fizemos – todos sem exceção, foi extraordinário. Conseguimos continuar a trabalhar numa situação muito difícil. Não sou pessimista por natureza mas, sinceramente, acho que as maiores dificuldades ainda estão para chegar. A crise económica vai ser muito profunda e, com a saúde, temos que manter cuidados redobrados.

Acha que o facto de a marca Azevedos ter acompanhado e ajudado a combater as principais pandemias dos últimos dois séculos foi uma mais-valia para o Grupo Azevedos?

Tenho a certeza que sim. Uma marca é muito mais do que um logotipo. A marca Azevedos é uma marca de carácter e confiança construída com o génio, trabalho e empenho de muitas gerações. É uma marca feita de pessoas, das pessoas Azevedos, e para as pessoas. Não gosto muito de falar do passado, prefiro olhar sempre para o futuro, mas a história ensina-nos que as crises, por mais terríveis que sejam, têm sempre um fim.

Quais foram as principais alterações que a pandemia obrigou a fazer nas empresas do GA?

Atuámos em várias frentes. Na segurança dos colaboradores e pessoas que se deslocam à empresa; na execução de um plano de contingência, com todos os procedimentos sanitários indicados e/ou necessários para o nosso setor; na reorganização de horários por turnos e organização da utilização das zonas comuns com os visitantes regulares; no controlo de temperatura à entrada das instalações e procedimentos de circulação e permanência nas instalações; no teletrabalho e assistência à família. E numa comunicação permanente com todos os Colaboradores.
 
 
Esta situação foi uma prova de fogo para a Sofarimex. Como é que a fábrica enfrentou estes novos tempos?

Já vínhamos a desenvolver e a pôr em prática profundas alterações na nossa orgânica interna e continuamos.

Apoio dos nossos Colaboradores com informação objetiva e na implementação de todas as medidas de segurança sanitária, permitiram um ambiente de tranquilidade que foi determinante na melhoria da produtividade industrial.

Também estendemos as nossas comunicações aos nossos parceiros, de forma a colmatar as falhas em materiais para a nossa produção, bem como a nível de entrega de equipamentos.

Com esta pandemia os cidadãos começaram a perceber a real importância das farmacêuticas. Acha que finalmente o sector vai recuperar algum prestígio em termos de reputação?

Quero, de facto, acreditar que ainda vou viver num País em que a Indústria Farmacêutica possa ser vista e reconhecida pelo seu contributo na geração de valor e riqueza para a nação, para a criação de emprego qualificado, com o aumento das exportações nacionais e a internacionalização da marca Portugal. Talvez com a Covid 19, a opinião pública comece a mudar a imagem e as expectativas que tem relativamente à Indústria Farmacêutica, e no impacto que tem para as sociedades, e na saúde pública.

Ciente de que não há desenvolvimento socioeconómico sem saúde, o papel da indústria de produção de medicamentos essenciais deve ter o justo e merecido reconhecimento pelas pessoas e pelos estados.